UM EXCERTO DO POEMA "E SE A CIDADE FOSSE UMA MULHER?", DE SARAH OLIVEIRA CARNEIRO
fotografia do arquivo pessoal da autora "E SE A CIDADE FOSSE UMA MULHER ? " fotografia de Luciano Fogaça "Os mares continuariam a ter maré vazante, ela seria uma circunferência e já nasceria livre. As praças teriam árvores com tranças de laço e as manifestações políticas percorreriam a Rua dos Cataventos do poema de Mário Quintana. Os prédios dariam mais chance às belas paisagens, hoje ofuscadas atrás da imponência dos fálicos arranha-céus. O rural não seria o oposto do urbano. Haveria mais correspondência, o que permitiria que as feiras populares do Sertão respirassem integralmente em meio à fisicalidade destrambelhada da malha citadina. Contradições e paradoxos? Sim, teríamos. Porém, não fugiríamos das suas antíteses. fotografia de Luciano Fogaça Espalhados pelos bairros estariam os conselhos matriarcais comandados pelas agricultoras, mães, lavadeiras, mulheres negras, brancas, mestiças, indígenas, lésbica...