Quatro poemas de Helenice Faria | Uma poética da resistência
Rosana Paulino Quatro poemas de Helenice Faria Uma poética da resistência Deixe-me em oralidades. Quero sorvê-las com calma E absorver a riqueza de cada uma delas. Não quero regras, padrões e imposições. Não acato ordens Já me desfiz dos chicotes e das dores. Concebida na escuridão Pelas caladas da noite Vi a vida pelos buracos abertos a ferro. Nasci à claridade do dia. Cresci caminhando em cantos, becos e valas Apaixonei-me pelas favelas e bares E quis todos os lugares. Desfilo por avenidas Meneio a cabeça, o corpo Ao ritmo do tambor. Verte suor, calor E no constante ardor permito-me filhas e filhos. Rosana Paulino As armas e as lanças traduzem os traços. Pontaria em estilhaço. Não queremos cangaço. Se pisamos arenas de morte, Ouça canto e grito forte. É nosso direito à fala. Às desculpas (in)conscientes? Aprumamos o peito Acenamos a bandeira ancestral. Apagamos, Retraçamos os olhos, os lábi